Passatempo API Sapo Mapas

Logotipo Weekend Planner

No início do ano soube da existência de um passatempo promovido pela equipa do Sapo Mapas vocacionado para estudantes universitários que consistia em criar um site que utilizasse a API deles. Normalmente costumo ter bastantes dificuldades em encontrar uma ideia interessante para este tipo de concursos (confesso que a criatividade não é o meu forte), mas desta vez a coisa encarrilou. A ideia partiu de um problema com o qual já me deparei algumas vezes: dou por mim com um fim-de-semana para passear com a namorada, mas é sempre uma carga de trabalhos escolhermos o destino e os locais a visitar.

Comecei a pensar em como é que isto poderia ser resolvido por uma aplicação ou um site e cheguei a um conjunto de funcionalidades básicas que seriam interessantes. Primeiro, seria necessário escolher uma zona do país que gostássemos de visitar, e depois era importante saber o que é podemos visitar nessa região. Expliquei a ideia à equipa e começámos a iterar sobre ela. Acabámos por adicionar mais funcionalidades, como a possibilidade de criação de um roteiro que calculasse a melhor rota entre os vários pontos de interesse a visitar. Assim surgiu o Weekend Planner.

 

Esboço inicial do Weekend PlannerEsboço inicial do Weekend Planner

Esboços iniciais do Weekend Planner

 

Fechámos o planeamento com 3 etapas importantes para a interface do utilizador: 1) Escolher a zona de Portugal, 2) Escolher os pontos de interesse (Restaurantes, Hotéis, Cultura e Turismo), e 3) Ordenar os pontos de interesse e criar o roteiro. Também identificámos alguns pontos chave nos quais queríamos apostar: para além de um design limpo, simples e baseado no look and feel dos restantes serviços Sapo, era importante ter um interface dinâmico. O objectivo era não existirem refreshes nas páginas, por isso escolhemos basear tudo em Javascript em vez de optar por PHP, por exemplo. Isto revelou-se um desafio bastante grande porque nenhum de nós tinha experiência em Javascript.

Usámos o planeamento Weekend Planner na cadeira de Gestão de Projectos do Mestrado e fomos avançando na implementação no pouco tempo livre que nos sobrava e chegámos à data da deadline com um conjunto interessante de funcionalidades implementadas. Apesar disto, ficaram algumas coisas por fazer, que, na minha opinião, trariam bastante valor ao projecto. Seria importante poder adicionar o mesmo ponto de interesse ao roteiro mais do que uma vez, porque no caso de um hotel ou restaurante, será um ponto pelo qual passaremos várias vezes ao longo de um fim-de-semana. Também era muito importante ter um mecanismo de interacção com redes sociais para partilhar roteiros e até criar um ranking para os melhores roteiros em determinados pontos do país, para além de existir uma forma de exportar facilmente o roteiro para ser possível imprimir. Um ponto com o qual fiquei bastante satisfeitos foi o mapa em SVG/Raphaël.js que está na página inicial do projecto. Começámos com uma versão em Flash, mas rapidamente mudámos para esta solução, que é muito melhor.

 

Weekend Planner

 

Submetemos o site para aprovação do júri do passatempo com convicção que tínhamos feito um bom trabalho. Foi necessário aguardar até Novembro para sabermos os resultados: o nosso projecto ficou em 1º lugar, com direito a um portátil Sony Vaio e um estágio remunerado no Sapo para cada um dos elementos. Fiquei mesmo muito orgulhoso, tanto da nossa ideia como da nossa implementação. A implementação ainda tem algumas arestas que precisam de ser limadas, para não falar no esventramento completo da biblioteca de Javascript usada na página do Sapo Mapas (temos desculpa, estávamos a aprender :)), mas acho o projecto bastante interessante e com potencial para estimular o turismo dentro de Portugal.

Se quiserem dar uma vista de olhos na implementação, está disponível no seguinte link: http://maps.miguelduarte.pt

Para além de agradecer à equipa (Carlos Lima e Patrícia Mateus) pelo empenho, queria agradecer ao Sapo pela oportunidade e ao nosso “consultor” de Javascript e UX, o Luís Nabais 🙂

O fim dos LulzSec

LulzSecA segurança é, cada vez mais, um ponto fulcral de qualquer sistema informático. Os ataques multiplicam-se, os prejuízos são cada vez maiores e, com os nossos dados espalhados por inúmeros serviços na internet, todos estamos vulneráveis. Muitas entidades não têm qualquer mecanismo de segurança e estão à mercê de hackers que agem por maldade. A possibilidade de existirem backdoors ocultas e activamente usadas é algo que deveria provocar arrepios e noites em branco a qualquer sysadmin ou responsável de sistemas.

O fim está a chegar rapidamente para os membros dos LulzSec. Estão a ser feitas apreensões todas as semanas e os cabecilhas começam a ser apanhados. Esta telenovela dos tempos modernos já dura há alguns meses e gerou muita discussão sobre os métodos utilizados pelo grupo de “hacktivistas”. De certo modo, foi algo completamente novo no mundo da tecnologia: a mediatização da verdadeira anarquia digital.

A minha opinião divide-se um pouco entre os dois lado da barricada.

Por um lado, este tipo de acontecimentos costumam provocar rupturas de comportamento. Por exemplo, o surgimento do Firesheep em 2010 apressou o ritmo da implementação de ligações seguras por SSL no Facebook e outros sites de grande porte. Só quando sentimos na pele as consequências é que tomamos acções drásticas. Existem entidades que não têm qualquer respeito pelos dados dos seus utilizadores. Quantas bases de dados terão dados confidenciais em plain-text? O caso da Sony foi flagrante e deverá servir de exemplo para qualquer um. Ao menos este grupo teve a “decência” de fazer um grande alarido da situação e não ficou a utilizar os dados pela calada, o que teria sido ainda mais grave.

Por outro lado, milhares de inocentes foram apanhadas nesta situação. Os LulzSec divulgaram os dados de cartões de crédito, e-mails e passwords, provocando prejuízo na vida das pessoas. Este tipo de ataques sem regras tem consequências reais graves, razão pela qual não consigo apoiar totalmente esta ideologia.

A fama, a vaidade e o poder subiram-lhes rapidamente à cabeça. Afinal de conta, não é todos os dias que se tem os olhos do mundo concentrados em cada passo que damos, para além do medo incutido nos cibernautas. Este excesso de confiança foi, na minha opinião, a morte do artista. Deixaram pegadas por todo o lado e não acredito que consigam sair incólumes depois de tudo o que fizeram.

As acções dos LulzSec ficarão marcadas na história da internet. Espero que toda a situação não tenha sido em vão e que haja uma mudança de hábitos radical. A cultura da segurança deveria ser a primeira prioridade de qualquer entidade com presença na web. Cada vez mais piratas navegam nestes mares: quem não se proteger, mais cedo ou mais tarde acaba saqueado.

LulzBoat