Primeiras impressões sobre o Mac OS X Lion

OS X LionOntem saiu a versão 10.7 do OS X. Juntamente com cerca de 1 milhão de pessoas, perdi o amor a cerca de 24€ na App Store. Ao fim de dois dias já tenho alguma noção do que gosto e do que não gosto nada. Não é que a minha opinião (ou qualquer outra) tenha alguma influência: a Apple é famosa por seguir o seu caminho, com o sem o consentimento dos seus utilizadores. No final, a maioria de nós será mais um carneirinho às ordens do Deus Jobs, e os defeitos (antigos ou recentemente introduzidos) do OS X serão esquecidos ou aceites. Sad, but true.

Sobre o processo de instalação, só tenho a dizer bem. O download demorou um pouco, mas é normal visto que são quase 4GB. O processo de instalação é seamless e dura cerca de meia hora. Até aqui, tudo perfeito. Quando finalmente entramos no sistema operativo, é apresentada uma caixa para testarmos o scroll. Fui apanhado de surpresa ao verificar que o inverteram verticalmente! Esta alteração vai de encontro com a estratégia da Apple de tentar aproximar o OS X com o iOS, visto que nos dispositivos tactéis como o iPad e o iPhone o scroll é feito ao “empurrar” o conteúdo. A habituação tem sido relativamente fácil, devido (penso eu) à utilização regular do meu iPad.

Após o ambiente de trabalho carregar, uma das primeiras coisas que saltou à vista foi que os Spaces tinham desaparecido. Para além disso, o Exposé foi substituído pelo Mission Control e foi introduzido o Launchpad para gerir as aplicações instaladas. Vamos por partes:

Mission Control: eu era bastante Exposé-dependente. Usava e abusava desta feature para trocar entre várias janelas, que era acessível através de um swipe para baixo. Agora podemos aceder ao Mission Control com swipe para cima. Não percebo bem porque é que inverteram a direcção. Para além disto, já não é possível afastar as janelas, mostrando o ambiente de trabalho, com um swipe para cima (3 dedos), que também era extremamente útil. Agora temos que fazer um pouco de malabarismo com um gesto rebuscado: uma espécie de pinch para fora com o polegar e 3 dedos. 80% das vezes activo o Mission Control em vez de conseguir afastar as janelas, talvez devido ao pequeno touchpad do meu Air. Useless!

Spaces: demorei um pouco a descobrir como se adicionavam novos Spaces. É necessário ir ao Mission Control e  arrastar uma janela em direcção ao canto superior esquerdo. Se antes podiamos ter Spaces verticais e horizontais, agora só é possível serem horizontais. O Dashboard de widgets vem por default como um Space, mas removi-o imediatamente. Por default também vem a opção de reordenar os spaces de acordo com os que são mais usados. Também removi isto porque prefiro saber exactamente em que space é que está determinada aplicação. Apesar do novo sistema não me parecer tão flexível, penso que me vou adaptar bem.

Launchpad: Quase nem vale a pena falar disto. Para quem usa o Quicksilver ou o Alfred (ou outro launcher qualquer) esta feature é inútil. No entanto não é possível ignorá-la totalmente: ao instalar uma aplicação, o Launchpad abre para mostrar o progresso, quer queiramos quer não. Uma minor annoyance.

Outra coisa que reparei é que as aplicações que tenho abertas não estão a ficar nos spaces onde as deixo. Gosto de ter um space para o Mail.app e Twitter, outro para o browser, outro para o Photoshop e ainda outro para o Coda/TextWrangler. Por vezes ao clicar numa dessas aplicações, em vez de ir para o space correspondente, a aplicação abre no space actual e tenho que a arrastar para o sítio certo. Não sei se é por o Lion fechar aplicações que não estão a ser usadas, mas torna-se chato.

As alterações cosméticas são súbteis mas agradáveis. Deixámos de ter barras de scroll explícitas e é necessário fazer scroll para que apareçam. Algumas aplicações que usava deixaram de funcionar: o cliente de VPN da Cisco crasha com estilo e o TotalFinder recusa-se a iniciar. Ainda não tive oportunidade de experimentar bem algumas funcionalidades como o AirDrop, Resume, Auto Save e Versions, mas já ouvi dizer que funcionam bem.

Uma coisa que me irrita profundamente foi terem arruinado a aplicação DigitalColor Meter. Antes era possível ver o código RGB em hex, bem como copiá-lo. Agora nem uma coisa, nem outra. Esta aplicação era excelente para webdesign, porque podíamos rapidamente pegar no valor de uma cor para aplicar no CSS ou mesmo no Photoshop. Gostaria de saber quem foi o [escolher um daqui] que olhou para a aplicação e pensou “Hmm… Isto é bastante útil. Vamos tirar features, só para os lixar”, principalmente quando o OS X é utilizado en masse por designers.

Esta foi a primeira migração de versão pela qual passei no OS X. Não sei se as outras foram assim tão leves, mas não se compara à alteração de um Windows XP para um Windows Vista, por exemplo. É mais parecido com a passagem do Windows Vista para o Windows 7, na medida em que não há assim tanta diferença. É óbvio o esforço que a Apple está a fazer para tentar fundir o iOS com o OS X. Não sei se esse caminho é o mais correcto, mas safaram-se (bastante) bem com as escolhas que fizeram ao longo dos últimos anos, pelo que irei dar-lhes o benefício da dúvida. É esperar para ver.

Como usar o gnuplot num Mac

Há pouco tempo necessitei de utilizar a excelente ferramenta gnuplot no meu Mac. Aqui deixo um guia de como instalar e utilizar alguns comandos. Primeiro, instalem o MacPorts. Depois, basta abrirem o terminal e correrem o seguinte comando:

sudo port install gnuplot

É normal que demore bastante tempo a instalar, pois são necessárias muitas dependências. No final do processo de instalação, deverão poder escrever gnuplot no terminal e entram na aplicação.

A maneira mais fácil de utilizar o gnuplot é ter um ficheiro com os valores separados por espaços e por linhas. Em baixo está um exemplo de um ficheiro com 2 data sets numerados:

1 2 5
2 3 5
3 7 6
4 6 6
5 9 7

Neste caso, a primeira coluna irá ser utilizada para o eixo do x e as outras colunas pertecem a data sets individuais, que serão mapeados no eixo do y. Admitindo que estes valores estão guardados no ficheiro test.txt no working directory actual, poderemos mapeá-los desta maneira:


plot "test.txt" using 1:2, "test.txt" using 1:3

Aqui dizemos para mapear o data set 2  e o 3 usando o data set 1 como eixo do x. No entanto, tal como podemos ver em baixo, o resultado não é muito impressionante.

gnuplot  - exemplo 1

Existem alguns problemas com o resultado: os títulos dos data sets não estão correctamente configurados, não se percebem bem os dados por causa dos pontos, e o eixo do y poderia começar a partir do 0, e não do 2. Começando a passar os pontos para linhas, com o parametro with lines:


plot "test.txt" using 1:2 with lines, "test.txt" using 1:3 with lines

gnuplot - exemplo 2

Em alternativas ao with lines temos o smooth bezier e smooth csplines, que fazem aproximações de maneira a criar uma linha mais fluída:


plot "test.txt" using 1:2 smooth bezier, "test.txt" using 1:3 smooth csplines

gnuplot - exemplo 3

De maneira a corrigir a escala e os títulos, corremos os seguintes comandos:


set yrange[0:10]
plot "test.txt" using 1:2 smooth bezier title "primeiro", "test.txt" using 1:3 smooth csplines title "segundo"

gnuplot - exemplo 4

E pronto, o básico do gnuplot encontra-se explicado. Esta ferramenta é bastante complexa e poderosa, mas estes comandos devem chegar para análises rápidas e simples.

De Windows para Mac OS X

Windows vs MacSempre fui bastante defensor dos computadores Windows relativamente aos Macs. Não tanto pelo sistema operativo em si, visto que nunca tinha tido contacto directo com ele, mas com a minha opinião bastante extremista a basear-se no preço do hardware. Porque é que alguém haveria de dar tanto dinheiro por um Mac quando há portáteis Windows muito mais baratos e com as mesmas características?  “This is madness”, pensava eu…

Entretanto, por ironia do destino, caiu-me um Mac no colo. Achei que era uma boa oportunidade para descobrir o que é que despertava tanto interesse e, a meu ver, irracionalidade em quem dava dinheiro por estas coisas.

Adaptação

As primeiras semanas foram complicadas. Andava sempre com os 2 portáteis para todo o lado porque ainda dependia de muito software no meu computador Windows. Aos poucos ia encontrando alternativas interessantes para a maior parte dos programas e começava a utilizar cada vez menos o meu Sony Vaio. Foi também aos poucos que me comecei a gostar cada vez mais OS X… Cada vez que tinha que voltar ao meu outro computador, era um pesadelo. Os meus amigos fartaram-se de me ouvir a queixar do sistema operativo da Microsoft: “usar Windows é como fazer uma cirurgia com luvas de boxe” foi uma das analogias que, no meu desespero, usei quando tinha que voltar ao outro computador.

Foi um processo de metamorfose bastante interessante. Passei de um anti-Mac para um pro-Mac num espaço de 2 meses. Não fiquei anti-Windows, até porque o Windows 7 é um excelente sistema operativo, mas a verdade é que o OS X consegue fazer (quase) tudo o que o Windows faz com muito mais elegância e com uma experiência de utilização bastante mais requintada.

O Bom

Há várias coisas que posso identificar que o Mac faz extremamente bem. Uma delas é o touchpad e o seu suporte para multi-touch. É fantástico utilizar este touchpad para navegar na internet e trabalhar: o scroll com 2 dedos é perfeito e a activação do Exposé (esconder/mostrar todas as janelas) com 4 dedos é das funcionalidades mais interessantes do sistema operativo. Faz todo o sentido e torna a experiência de utilização mais natural.

O Spaces também é uma maneira de organizar o nosso trabalho, criando vários desktops virtuais. É possível navegar entre eles utilizando um atalho de teclado e facilita quando precisamos várias coisas importantes ao mesmo tempo: documentação, browser, IDE, cliente de FTP, etc. Cada um destes elementos pode ficar num ecrã e depois facilmente se navega entre eles. Claro que esta funcionalidade não é inovadora: muitas distribuições de Linux já fazem isto há muito tempo e há aplicações em Windows que oferecem a mesma funcionalidade. No entanto, a implementação para Mac está muito bem integrada com o sistema operativo.

Outra vantagem em relação ao Windows é ter uma shell digna desse nome. A linha de comandos do Windows é apenas uma amostra comparada com o Bash. Esta ferramenta é essencial para power users e principalmente para programadores. Há muitas tarefas que podem ser automatizadas com shell scripts e é algo com que poderemos sempre contar. Os IDEs mudam, os sistemas operativos mudam, mas a shell há de ser sempre a shell. No livro The Pragmatic Programmer há uma analogia interessante em que comparam as ferramentas de um programador com as ferramentas de um carpinteiro. É importante saber usar a maquinaria pesada e complexa que facilita o trabalho, mas um carpinteiro que se preze sabe usar e pode sempre recorrer a um martelo e um serrote.

Instalar programas é tão simples como arrastar um ícone (na verdade é uma pasta disfarçada) para dentro da pasta Applications, e para desinstalar basta arrastá-lo para o Trash. Caso queiram visualizar rapidamente o conteúdo de um ficheiro no Finder (o equivalente ao Explorer do Windows) basta selecciona-lo e carregar no espaço e aparece um popup com os conteúdos sem ser necessário abrir um programa, que demoraria bastante mais tempo.

Dois pontos importantes deste Macbook Air de 11 polegadas são o peso e o tempo de bateria. Para quem anda com um portátil todos os dias para trás e para a frente, o peso é algo a ter em conta e o Air não desilude. Não ter que pensar na bateria (cerca de 5H30 com utilização normal) e instant-on assim que se abre a tampa são alguns dos mimos aos quais nos vamos habituando e que depois é difícil viver sem eles, para não falar na excelente qualidade de construção. A performance é surpreendente, para um Core2Duo 1.4Ghz e a maioria das tarefas são executadas rapidamente. Penso que, em parte, esta rapidez se deve ao SSD de 128GB que torna a leitura muito mais rápida que num disco rígido comum…

O Mau

…Mas nem tudo são rosas e há vários aspectos deste mundo da maçã que me incomodam. Começando com o sistema operativo em si, algumas funcionalidades aparentemente simples e dadas como garantidas estão ausentes. Em primeiro lugar, não é possível criar um novo ficheiro através do Finder. Se for necessário criar um simples ficheiro de texto, não existe nenhuma opção para “new file”: temos que abrir um editor de texto, criar um novo ficheiro e guardá-lo na pasta pretendida.

Caso a tarefa seja algo tão simples como cortar um ficheiro para podermos colar noutro local, tal também não é possível. A solução passa por copiar, colar e depois apagar o original ou então usar o Bash para correr um comando “mv” de maneira a mover o ficheiro. A última das minhas queixas relativamente ao Finder tem a ver com a união de pastas. Caso tenham a infelicidade de tentar fazer o merge de 2 pastas com a vossa música, podem perder todo o conteúdo da pasta original porque é feito o replace automáticamente.

Também tive alguns problemas com kernel panics neste curto espaço de tempo. Foram muitos mais do que os bluescreens que tinha no Windows 7, apesar de pensar que muitos estão relacionados com  a pen 3G da Vodafone. Um pormenor que ficava bem neste portátil, à semelhança de outros Macs, seria um teclado backlit. A performance do Flash também fica um pouco abaixo das expectativas, mas já era de esperar considerando a relação de ódio entre a Apple e a Adobe, no que toca a este plugin.

Alternativas

Quando se usa um sistema operativo durante tantos anos, habituamo-nos a determinadas aplicações. Encontrar alternativas boas para essas aplicações demorou algum tempo. Aqui deixo uma lista do melhor que encontrei para quem estiver na mesma situação:

  • Notepad++ > TextWrangler/Coda
  • Keepass > KeepassX
  • Launchy/Executor > Quicksilver/Alfred
  • Filezilla > Transmit
  • Foxit Reader > Skim

O Balanço

Apesar de haverem alguns pontos fracos, a grande maioria da experiência de utilização é francamente superior ao que estava habituado em Windows. Fiquei fã e muito provavelmente o meu próximo portátil será um Macbook Pro… Porquê usar luvas de boxe quando temos alternativas que encaixam melhor?