DigitalColor Meter no OS X Lion

Para quem ficou indignado com a decisão da Apple de estragar completamente o DigitalColor Meter no Lion, fiquem a saber que existe uma alternativa. Na AppStore encontra-se uma aplicação a 0.79€/$0.99 que replica exactamente as mesmas funcionalidades da versão anterior. Agora já é possível ver a cor de um pixel em hex e copiar esse valor através do cmd+shift+c. A aplicação chama-se Classic Color Meter e pode ser encontrada aqui: http://itunes.apple.com/pt/app/classic-color-meter/id451640037?mt=12

Classic Color Meter

Primeiras impressões sobre o Mac OS X Lion

OS X LionOntem saiu a versão 10.7 do OS X. Juntamente com cerca de 1 milhão de pessoas, perdi o amor a cerca de 24€ na App Store. Ao fim de dois dias já tenho alguma noção do que gosto e do que não gosto nada. Não é que a minha opinião (ou qualquer outra) tenha alguma influência: a Apple é famosa por seguir o seu caminho, com o sem o consentimento dos seus utilizadores. No final, a maioria de nós será mais um carneirinho às ordens do Deus Jobs, e os defeitos (antigos ou recentemente introduzidos) do OS X serão esquecidos ou aceites. Sad, but true.

Sobre o processo de instalação, só tenho a dizer bem. O download demorou um pouco, mas é normal visto que são quase 4GB. O processo de instalação é seamless e dura cerca de meia hora. Até aqui, tudo perfeito. Quando finalmente entramos no sistema operativo, é apresentada uma caixa para testarmos o scroll. Fui apanhado de surpresa ao verificar que o inverteram verticalmente! Esta alteração vai de encontro com a estratégia da Apple de tentar aproximar o OS X com o iOS, visto que nos dispositivos tactéis como o iPad e o iPhone o scroll é feito ao “empurrar” o conteúdo. A habituação tem sido relativamente fácil, devido (penso eu) à utilização regular do meu iPad.

Após o ambiente de trabalho carregar, uma das primeiras coisas que saltou à vista foi que os Spaces tinham desaparecido. Para além disso, o Exposé foi substituído pelo Mission Control e foi introduzido o Launchpad para gerir as aplicações instaladas. Vamos por partes:

Mission Control: eu era bastante Exposé-dependente. Usava e abusava desta feature para trocar entre várias janelas, que era acessível através de um swipe para baixo. Agora podemos aceder ao Mission Control com swipe para cima. Não percebo bem porque é que inverteram a direcção. Para além disto, já não é possível afastar as janelas, mostrando o ambiente de trabalho, com um swipe para cima (3 dedos), que também era extremamente útil. Agora temos que fazer um pouco de malabarismo com um gesto rebuscado: uma espécie de pinch para fora com o polegar e 3 dedos. 80% das vezes activo o Mission Control em vez de conseguir afastar as janelas, talvez devido ao pequeno touchpad do meu Air. Useless!

Spaces: demorei um pouco a descobrir como se adicionavam novos Spaces. É necessário ir ao Mission Control e  arrastar uma janela em direcção ao canto superior esquerdo. Se antes podiamos ter Spaces verticais e horizontais, agora só é possível serem horizontais. O Dashboard de widgets vem por default como um Space, mas removi-o imediatamente. Por default também vem a opção de reordenar os spaces de acordo com os que são mais usados. Também removi isto porque prefiro saber exactamente em que space é que está determinada aplicação. Apesar do novo sistema não me parecer tão flexível, penso que me vou adaptar bem.

Launchpad: Quase nem vale a pena falar disto. Para quem usa o Quicksilver ou o Alfred (ou outro launcher qualquer) esta feature é inútil. No entanto não é possível ignorá-la totalmente: ao instalar uma aplicação, o Launchpad abre para mostrar o progresso, quer queiramos quer não. Uma minor annoyance.

Outra coisa que reparei é que as aplicações que tenho abertas não estão a ficar nos spaces onde as deixo. Gosto de ter um space para o Mail.app e Twitter, outro para o browser, outro para o Photoshop e ainda outro para o Coda/TextWrangler. Por vezes ao clicar numa dessas aplicações, em vez de ir para o space correspondente, a aplicação abre no space actual e tenho que a arrastar para o sítio certo. Não sei se é por o Lion fechar aplicações que não estão a ser usadas, mas torna-se chato.

As alterações cosméticas são súbteis mas agradáveis. Deixámos de ter barras de scroll explícitas e é necessário fazer scroll para que apareçam. Algumas aplicações que usava deixaram de funcionar: o cliente de VPN da Cisco crasha com estilo e o TotalFinder recusa-se a iniciar. Ainda não tive oportunidade de experimentar bem algumas funcionalidades como o AirDrop, Resume, Auto Save e Versions, mas já ouvi dizer que funcionam bem.

Uma coisa que me irrita profundamente foi terem arruinado a aplicação DigitalColor Meter. Antes era possível ver o código RGB em hex, bem como copiá-lo. Agora nem uma coisa, nem outra. Esta aplicação era excelente para webdesign, porque podíamos rapidamente pegar no valor de uma cor para aplicar no CSS ou mesmo no Photoshop. Gostaria de saber quem foi o [escolher um daqui] que olhou para a aplicação e pensou “Hmm… Isto é bastante útil. Vamos tirar features, só para os lixar”, principalmente quando o OS X é utilizado en masse por designers.

Esta foi a primeira migração de versão pela qual passei no OS X. Não sei se as outras foram assim tão leves, mas não se compara à alteração de um Windows XP para um Windows Vista, por exemplo. É mais parecido com a passagem do Windows Vista para o Windows 7, na medida em que não há assim tanta diferença. É óbvio o esforço que a Apple está a fazer para tentar fundir o iOS com o OS X. Não sei se esse caminho é o mais correcto, mas safaram-se (bastante) bem com as escolhas que fizeram ao longo dos últimos anos, pelo que irei dar-lhes o benefício da dúvida. É esperar para ver.

Como usar o gnuplot num Mac

Há pouco tempo necessitei de utilizar a excelente ferramenta gnuplot no meu Mac. Aqui deixo um guia de como instalar e utilizar alguns comandos. Primeiro, instalem o MacPorts. Depois, basta abrirem o terminal e correrem o seguinte comando:

sudo port install gnuplot

É normal que demore bastante tempo a instalar, pois são necessárias muitas dependências. No final do processo de instalação, deverão poder escrever gnuplot no terminal e entram na aplicação.

A maneira mais fácil de utilizar o gnuplot é ter um ficheiro com os valores separados por espaços e por linhas. Em baixo está um exemplo de um ficheiro com 2 data sets numerados:

1 2 5
2 3 5
3 7 6
4 6 6
5 9 7

Neste caso, a primeira coluna irá ser utilizada para o eixo do x e as outras colunas pertecem a data sets individuais, que serão mapeados no eixo do y. Admitindo que estes valores estão guardados no ficheiro test.txt no working directory actual, poderemos mapeá-los desta maneira:


plot "test.txt" using 1:2, "test.txt" using 1:3

Aqui dizemos para mapear o data set 2  e o 3 usando o data set 1 como eixo do x. No entanto, tal como podemos ver em baixo, o resultado não é muito impressionante.

gnuplot  - exemplo 1

Existem alguns problemas com o resultado: os títulos dos data sets não estão correctamente configurados, não se percebem bem os dados por causa dos pontos, e o eixo do y poderia começar a partir do 0, e não do 2. Começando a passar os pontos para linhas, com o parametro with lines:


plot "test.txt" using 1:2 with lines, "test.txt" using 1:3 with lines

gnuplot - exemplo 2

Em alternativas ao with lines temos o smooth bezier e smooth csplines, que fazem aproximações de maneira a criar uma linha mais fluída:


plot "test.txt" using 1:2 smooth bezier, "test.txt" using 1:3 smooth csplines

gnuplot - exemplo 3

De maneira a corrigir a escala e os títulos, corremos os seguintes comandos:


set yrange[0:10]
plot "test.txt" using 1:2 smooth bezier title "primeiro", "test.txt" using 1:3 smooth csplines title "segundo"

gnuplot - exemplo 4

E pronto, o básico do gnuplot encontra-se explicado. Esta ferramenta é bastante complexa e poderosa, mas estes comandos devem chegar para análises rápidas e simples.

Ver vídeos .mkv no iPad

O iPad não suporta os ficheiros .mkv directamente. Existem algumas aplicações que permitem visualizar estes ficheiros, mas normalmente não conseguem ser reproduzidos à frame rate desejada. Os vídeos em .mkv são bastante populares para conteúdos em alta definição, pelo que é apetecível a sua visualização num iPad.

A solução passa por mudar estes ficheiros para .mp4, sem perder qualidade. Isto pode ser feito em 5 minutos com o programa MKVtools visto que não é necessário reconverter o vídeo, mas sim mudar o container. Assim que tiverem instalado esta ferramenta, abram o ficheiro em questão e escolham as seguintes configurações:

  • Tab MP4
  • Vídeo Pass Thru
  • Audio AAC (2 ch)
  • Device iPad

MKVtools

É importante não escolher AC3 (5.1) no Audio, porque o iTunes não deixa copiar o ficheiro para o iPad. Tem mesmo que ser usado AAC (2 ch), visto que o AAC (5.1) pode trazer problemas de audio. Seleccionem a faixa de vídeo e audio e depois cliquem em Convert. O processo é bastante rápido e no final ficam com um ficheiro .mp4 que podem colocar no iTunes para ser sincronizado com o iPad. Tudo isto sem perder um único pixel!

iPad: o veredicto

Já la vai mais de uma semana desde que adquiri um iPad de primeira geração. Este aparelho saiu para o mercado em Portugal há menos de um ano e já se consegue arranjar por cerca de metade do preço original. A rapidez com que o material da Apple desvaloriza é algo de extraordinário…

O iPad já vinha com uma capa da Macally, um protector de ecrã e estava em estado irrepreensível, parecia acabado de sair da caixa. Também tinha algumas aplicações pagas que foram gentilmente mantidas no aparelho por parte do antigo dono. So far so good!

Capa Macally

 

A qualidade do hardware e do software é algo a que já me vou habituando, vindo da Apple. É sólido, rápido, responsivo e intuitivo. As altas expectativas que tinha foram superadas em todos os aspectos. O interface é polido e dinâmico, feito especialmente a pensar na experiência de utilização. Não posso deixar de notar uma grande diferença entre o iOS e o Android neste aspecto, apesar deste último estar a evoluir rapidamente.

Nesse mesmo dia informei-me sobre os benefícios de fazer Jailbreak, de forma a correr programas não permitidos pela Apple. Acabei mesmo por fazê-lo. Uma das vantagens é o acesso a uma AppStore alternativa que nos dá acesso às aplicações pagas, com a diferença de não se ter que pagar para as instalar… Obviamente que não dei uso a essa funcionalidade 😈

A quantidade de aplicações disponível é enorme, sendo possível perder-se horas a navegar pela AppStore em procura de novas para instalar. De salientar a oferta de jogos, muitos deles com versões optimizadas para o iPad. Também é possível instalar versões que foram apenas optimizadas para iPhone/iPod touch, mas a resolução deixa muito a desejar.

Algumas aplicações a destacar:

Jogos: Angry Birds (original, Seasons e Rio), Cut the Rope, Flight Control, Fieldrunners, Slice, Slice It, Mirror’s Edge, World of Goo, Labyrinth 2 HD e Need for Speed (Shift e Hot Pursuit).

Música: UGTools (pelo afinador de guitarra), Guitar Pro (fantástica maneira de praticar! Foi para isto que inventaram o iPad :D).

Produtividade: Springpad (gestor de notas/tarefas), Penultimate, Quickoffice (excelente editor de ficheiros do Office) ou Keynote/Numbers/Pages, Air Display (usar o iPad como 2º ecrã do Mac) e Dropbox.

Entretenimento: Reeder (muito bom leitor de feeds RSS), Instapaper (read it later), Echofon (cliente de Twitter com sincronização com o cliente de Desktop), Flipboard (interface fantástico para navegar pelo que é partilhado no Facebook/Twitter).

Esta amálgama de aplicações é mesmo o ponto forte do iPad, tornando-o num dispositivo multi-funções mas especialmente focado no entretenimento. Tinha cerca de 150 items por ler nas minhas feeds de RSS e despachei-os num instantinho com o Reeder. O facto de ser apenas um ecrã que podemos manipular com o toque torna a experiência de ler documentos ou artigos muito menos desgastante que num computador normal.

No entanto, ainda existem algumas arestas por limar. Tive bastantes problemas a configurar os meus e-mails com IMAP. Caso tenham uma conta em domínio próprio e dividam o vosso e-mail por pastas com filtros no servidor, a aplicação de e-mail do iPad não verifica automáticamente o e-mail nessas pastas. É necessário entrar em cada pasta manualmente. A solução encontrada foi bastante má: fazer a gestão dessa conta a partir do Gmail e aceder ao Gmail através de uma ligação Microsoft Exchange… WTF!?

O pior desta situação é que a Apple não permite aplicações que dupliquem funcionalidades base do iOS, pelo que não existem alternativas à aplicação de e-mail! Aqui se nota que estas medidas excessivamente controladoras não funcionam e são más para o consumidor final. Qual era o problema haverem alternativas de browser ou de cliente de e-mail? É arrogante pensarem que as aplicações deles são perfeitas e não permitirem concorrência.

Isto acaba por ser apenas uma pequena nódoa na experiência de utilização, que é excelente em tudo o resto. O iPad é uma pequena revolução na maneira como consumimos media, tornando-a facilmente acessível e fácil de manipular. Estou confiante que este tipo de dispositivos vieram para ficar.  O iPad foi apenas o primeiro passo e os tablets vão evoluir rapidamente com o aumento da concorrência (Android, webOS, BlackBerry Tablet OS, etc).

Enviado do meu iPad 😛